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  • Os líderes comunistas temem a verdade bíblica

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  • Os líderes comunistas temem a verdade bíblica
  • A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1956
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  • PARA OS CAMPOS DE ESCRAVOS COM ELES!
  • MUITA COISA ACONTECE DENTRO DA RÚSSIA
  • DE COMUNISTA A CRISTÃ
  • A DEPORTAÇÃO ESPALHA OS PREGADORES
A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1956
w56 1/4 pp. 64-70

Os líderes comunistas temem a verdade bíblica

Será que o livro mais amplamente lido no mundo vai continuar sob proscrição soviética?

A VERDADE se origina com JEOVÁ. Êle profere a palavra e ela nunca volta para êle vazia. Êle não origina mentiras, pois “é impossível que Deus minta”. As falsidades são abundantes e baratas; elas não duram. Com o passar do tempo, as imaginações dos homens, seus arrazoamentos e mentiras se desvanecem, murcham e desaparecem, mas “a verdade de Jehovah subsiste para sempre”. “A tua palavra é a verdade”, disse o Filho fiel de Jeová, Cristo Jesus. Aos judeus que creram nêle Jesus disse também: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Esta verdade, agora escrita na Bíblia, é temida pelos líderes russos. — Isa. 55:11; Heb. 6:17-20; Sal. 117; João 17:1-17; 8:31, 32.

“Não há Deus”, insistiram os líderes do comunismo soviético ao começarem, depois de 1917, a estabelecer-se para dominar sôbre milhões, sim, e nos anos que seguissem, sôbre bilhões dos habitantes da terra. (Sal. 14:1; 2:1-12) Para provar que podiam passar sem Deus, um dos seus primeiros atos do seu recém-criado estado foi o de proscrever a Bíblia, o livro mais amplamente lido no mundo.

“Desde a revolução bolchevista, as únicas Bíblias novas vistas na Rússia têm sido as poucas contrabandeadas ao país do estrangeiro — a maioria em idiomas estrangeiros”, relatou o editor de notícias estrangeiras da United Press em dezembro último. Ele acrescentou: “Desde a revolução, a Bíblia — embora batida e rasgada — tem sido a possessão mais prezada de muitas das famílias russas.”

Desde 1917, os líderes soviéticos tiveram quase quarenta anos para mostrar o que podiam fazer com a sua teoria de govêrno; e, no decorrer dos anos, êstes ditadores empilharam uma montanha de prova contra si mesmos de que são odiadores de Deus, odiadores do povo que escolhe adorar o Deus Altíssimo com espírito e verdade; sim, êsses líderes soviéticos provaram que são superficiais, desarrazoados, mais e mais cobiçosos, irracionalmente opressivos, tirânicos e mesmo assassinos desapiedados em nome do seu “estado”. É verdade que tentaram fazer muitas coisas em grande escala em vastos setores desta pequena terra. E hoje, sorridentes, risonhos e exultantes, êles se jactam orgulhosamente das suas consecuções, seus feitos em prol do seu próprio progresso, em servir ao seu deus, seu próprio ventre! — Fil. 3:19.

Às custas de quem fizeram tôdas as suas “consecuções”, todo seu “progresso”? Os relances dados atrás da sua “cortina de ferro” têm sido poucos e raros. Mas agora, pouco a pouco, os relances estão se amontando. Há poucas semanas atrás, certo correspondente holandês escreveu:

“Entre as grandes cidades da União Soviética encontram-se várias comunidades bem extensas que nunca foram mencionadas. Os viajantes visitam Leningrado, Moscou, Kiev, Odessa, Tachkent. Mas, quem conhece o nome de Vorkuta, no extremo norte da Rússia Européia, no mapa ao sudeste de Nova Zembla; ou de Norilsk, no noroeste da Sibéria; ou os nomes de Karaganda e Iwdjel? Contudo, nestes lugares temos de lidar com vastas cidades de barracas. A população de Vorkuta é calculada em 120.000 homens e mulheres; a de Norilsk em 400.000; e a Karaganda em 150.000.”

Êstes são alguns dos muitos campos de trabalho, das instituições penais da Rússia, onde os indesejáveis são postos a trabalhar. Aqui, o ímpio comunismo tem os seus trabalhadores escravos. Êstes humanos não são absolutamente todos prisioneiros de guerra. Centenas de milhares dêles são o povo da Rússia, nascidos ali, que não acharam demasiado errado pensar um pouco por si mesmos e expressar-se. Ali estão êles pelos milhões, punidos por serem postos a trabalhar em minas, cortando mato, construindo pequenas vilas para o govêrno comunista as povoar com cidadãos mais desejáveis que apoiarão e promoverão o regime comunista. Mesmo a Rússia não poderá manter para sempre encarcerados os seus cativos. Agora, de tempos a tempos, alguns dos capturados durante a guerra estão voltando dêstes acampamentos russos a países mais livres. Através das palavras dêles torna-se muito mais claro o quadro da vida dos milhões que vivem em tais cidades de barracas.

Mas, a nossa história tem que ver com o livro mais amplamente lido — com os que estão seriamente interessados na Bíblia. Mesmo os atuais líderes russos talvez achem que mataram praticamente a crença em Deus, ou que promoveram seu estado tão cabalmente que não se pensa mais na adoração do Deus vivo. O setor russo da sua Igreja Ortodoxa curva-se agora aos desejos dos líderes soviéticos, de modo que êles têm a necessária cooperação do clero ortodoxo russo na Rússia. Mas, que se diz dos que não pertencem ao sistema ortodoxo russo; por exemplo, que se diz das testemunhas de Jeová?

No verão de 1955, durante a estadia dum funcionário da Sociedade Tôrre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos E. U. A.) na Europa, êle falou com o correspondente holandês mencionado acima. Pessoas que haviam voltado da Rússia disseram àquele escritor que, tanto quanto se trata das testemunhas de Jeová, mostravam solidariedade fora do comum nos campos de prisão soviéticos. Elas ganharam até a simpatia de alguns dos guardas e autoridades. Êle acrescentou que estas testemunhas de Jeová eram conhecidas como estudantes muito sérios da Bíblia; que proclamavam nestes campos a presença invisível de Cristo e a condenação dêste presente sistema de coisas; que, embora nem tôdas elas estejam em campos de prisão, elas têm de viver ocultamente na Rússia e que elas têm muitíssimos adeptos. Êste senhor declarou ainda mais que, durante certa época, uma aldeia isolada inteira foi cercada e todos os moradores da aldeia capturados e enviados a um campo, porque todos tinham ficado conhecidos como testemunhas de Jeová.

Em adição, o escritor holandês deu ênfase a que milhões de pessoas na Rússia, que crêem no patriarca ortodoxo e no metropolitano, acham que êstes clérigos são apenas servos do atual regime ateísta soviético; portanto, a Igreja Ortodoxa Russa oficial tem caído no desfavor de muitas pessoas. Por outro lado, os ensinos das testemunhas de Jeová estão sendo aprendidos por mais e mais pessoas na Rússia.

As pessoas mansas sempre procurarão a verdade, e seus opressores estão temendo o que acontecerá se os mansos se reunirem. Jesus disse: “Felizes os de temperamento manso, porque herdarão a terra.” (Mat. 5:5,NM) No entanto, êstes de temperamento manso sabem que é perigoso pregar na Rússia, mas as testemunhas de Jeová o estão fazendo, e estão progredindo. Entre muitos há um notável despertar quanto às necessidades espirituais. Muitos não querem saber mais do comunismo, e nem tôdas as mentes têm sido sufocadas com o ensino tolo. (Sal. 53:1) De fato, parece que há milhões que acreditam num Ser Supremo ao considerarem a terra, o céu, as árvores, a relva, as flores e a vegetação. Tal evidência natural nem mesmo os ditadores soviéticos têm eliminado.

PARA OS CAMPOS DE ESCRAVOS COM ELES!

Embora os líderes soviéticos, com sua polícia secreta, ainda procurem encontrar as testemunhas de Jeová a fim de pô-las nos seus campos de escravos, mesmo dentro de tais campos as testemunhas continuam a pregar o reino estabelecido de Jeová. (Dan. 2:44; Mat. 6:9-13) Quando os crentes na Palavra de Deus são tirados dos seus lares e levados a países onde há campos de trabalho, assim que chegam a estas instituições são imediatamente recebidos por outros amantes da Bíblia, a Palavra de Deus, e são confortados e vêm sob a proteção dêles, porque êstes conhecem o método existente no campo, e não demora muito que são fortalecidos ao ponto de testemunharem a ainda outros prisioneiros. O zêlo dêles não é destruído por estarem em prisão. Êles aproveitam a situação para fazer maiores obras de ministério.

Em outra ocasião, em 1955, o presidente da Sociedade Tôrre de Vigia(dos E. U. A.) falou com uma das testemunhas de Jeová sôlta recentemente dêstes campos de prisão russos. Ali êle havia vivido tôda uma vida em seis anos. A história dêle era a de um de coração puro cheio de zêlo, e era comovente. Sendo um devoto estudante da Bíblia, não lhe fazia diferença a quem falava, a escravo ou a livre, ou mesmo aos que levavam uniforme comunista. Por pregar a Palavra de Deus a soldados russos que pediram informação, em território ocupado pelos comunistas, fora da Rússia, êle foi prêso, levado aos comandantes russos e interrogado vez após vez. A única coisa que podiam descobrir contra êle foi que êle falara sôbre a Bíblia àqueles soldados russos que haviam chegado a êle para perguntar-lhe sôbre a Palavra de Deus. Porque êle ajudara a êstes soldados a ler o livro mais amplamente lido, êle foi sentenciado a dez anos de trabalho forçado na Rússia. A sua viagem à Rússia foi indescritível. Êle e outros prisioneiros foram transportados em vagões de gado, e durante dias foram tratados pior do que gado, sem qualquer alívio. Durante seus seis anos na Rússia, êle tinha sido transferido de um campo a outro, e tinha trabalhado em mais de cinquenta campos diferentes, inclusive em alguns na Sibéria. Em cada um dêstes campos de prisão havia encontrado de dez a quinze ou mais testemunhas de Jeová.

Certa vez foram trazidos ao campo quarenta e oito prisioneiros russos, homens e mulheres. Haviam sido caçados e presos na Rússia e agora estavam designados ao campo em que êle estava. Por falar-lhes sôbre as muitas coisas boas que havia aprendido sôbre a Palavra de Jeová antes de ser levado à Rússia, êle teve o prazer de ajudar a êstes, novos na verdade, a continuar no seu proceder fiel. Teve o prazer de ouvir dêles que a verdade, que havia atingido a parte ocidental da Rússia nos primeiros anos do regime soviético, estava agora penetrando profundamente dentro da Rússia; de fato, havia atingido o país todo. Isto lhe trouxe grande alegria e encorajamento para continuar fielmente no serviço de Jeová, não importa onde estivesse.

Encontrando-se com outros russos que eram testemunhas de Jeová, êle ouviu como as testemunhas de Jeová eram caçadas pela polícia, igual a coelhos. Ficou sabendo de primeira mão como os líderes comunistas temiam a verdade bíblica e tentavam esmagá-la. Por pregarem o reino de Deus, pelo qual Jesus ensinou seus discípulos a orar, muitos haviam sido sentenciados a vinte e cinco anos de prisão. Êle contou que três aldeias pequenas haviam sido cercadas pela polícia secreta, às 3 da madrugada, e que cada uma das testemunhas de Jeová havia sido caçada e levada embora nas trevas da noite, para desaparecer para sempre, com relação a estas aldeias.

Em um dos campos ao qual fôra transferido encontrou um ucraniano que possuía uma Bíblia, o qual de algum modo havia contrabandeado a Bíblia ao campo. O livro estava bem gasto. Êle costumava ler nêle secretamente à noite, não deixando nem mesmo esta testemunha de Jeová ver o que estava lendo, até que certa noite a testemunha viu de relance as páginas. Ela voltou-se para o ucraniano e perguntou: “Sabe o que está lendo?” O ucraniano disse: “Como é que sabe o que estou lendo?” A resposta foi: “Eu sei que está lendo a Bíblia, mas entende o que está lendo?” (Isto nos faz lembrar a pergunta de Filipe dirigida ao etíope que estava lendo o livro de Isaías e que confessava que precisava ajuda para entendê-lo, e Filipe o ajudou bondosamente. — Atos 8:26-39.) De modo que êste prisioneiro dum país longínquo, levado às profundezas da Rússia, teve a oportunidade de ajudar êste ucraniano a vir ao conhecimento da verdade sôbre o reino estabelecido de Jeová.

Após várias semanas em que haviam estudado juntos quietamente (nas suas camas, que eram beliches superiores) e lido a Bíblia às escondidas, o comandante do campo apanhou-os lendo a Bíblia. De fato, por várias noites êste comandante do campo havia escutado atrás da cama o que êstes dois homens estavam falando sôbre os propósitos de Deus e sôbre a esperança maravilhosa oferecida nas Escrituras para os homens que procuram fazer a vontade de Jeová. O comandante se revelou então e disse a êstes homens que deviam ter mais cuidado em esconder a Bíblia melhor, pois era ilegal ler as Escrituras e falar sôbre elas. Êle não lhes tirou a Bíblia, mas os admoestou que tomassem medidas mais cautelosas, porque nem sempre podia êle estar ali, nem estariam êles; pois não demoraria muito até que seriam transferidos a outro campo. Foi Jesus quem disse: “Felizes os que têm fome e sêde de justiça, porque êles serão fartos.” — Mat. 5:6, NM.

Êste corajoso servo de Jeová Deus, que agora tem sido liberto do campo russo e que tem voltado para casa, ao seu país natal, indicou que, no início, quando se levavam prisioneiros de guerra ou condenados da Rússia ou dos seus países satélites a êstes campos, êles eram postos sob uma dieta de fome e obrigados a trabalhar até que morressem praticamente em pé. Tinha sido a orientação soviética matar assim êstes prisioneiros. Em anos recentes, porém, as coisas têm mudado. Os que presidem ao govêrno descobriram que êles têm ali um bom trabalho escravo; e agora estão oferecendo prêmios aos trabalhadores nos campos para fazerem mais trabalho e servirem melhor. Alimento e cuidado melhores estão sendo dispensados aos prisioneiros, porque a mão-de-obra escrava é barata, ainda mais barata do que a mão-de-obra comunista.

O govêrno soviético está realmente temeroso dos seus trabalhadores escravos. Êstes campos de prisão russos estão cercados de arame farpado e vigiados por guardas que têm sempre cães brabos na correia. A estrada da morte é uma faixa de terra de três metros de largura, tôda em volta do campo. Qualquer que pisar nesta terra é logo morto, ou por ser fuzilado imediatamente, sem que se façam quaisquer perguntas, ou por ser apanhado por cães raivosos. Os russos e os que foram presos em outros países e levados à Rússia, são trabalhadores escravos, servindo o estado. Em muitos casos não causaram nenhum dano à Rússia e nunca disseram uma só palavra sôbre o govêrno soviético, nem se empenharam em espionagem contra êle. Trataram dos seus próprios negócios no país em que viviam antes de serem levados à Rússia. Mas, os comunistas precisavam de homens e mulheres, escravos para edificar uma nação degradada; e, ao mesmo tempo, êles têm mêdo dos seus escravos. Êles não têm nenhum amor pelos seus escravos, nem têm os escravos amor pelo seus donos.

A Rússia é um país que vive em mêdo, mesmo em mêdo dos seus próprios campos de concentração. Como no caso desta única testemunha de Jeová, assim é com todos os prisioneiros russos: não são mantidos mais de três ou quatro meses num campo, depois são transferidos a outros. Num campo de aproximadamente 4.000 pessoas, 200 delas são levadas embora, cada poucos dias, a outras prisões e novas pessoas são trazidas para tomar seus lugares. Os líderes russos temem a formação duma organização interna entre as grandes massas de pessoas em que não confiam, as quais, algum dia, talvez possam vencer os guardas e tomar posse de parte do seu território. Que modo para regentes viverem — em mêdo do homem, não de Jeová Deus! Quão veraz é a Palavra de Deus, o livro que êles odeiam: “Quem oprime ao pobre, ultraja ao seu Criador.” — Pro. 14:31.

Quando esta testemunha de Jeová tinha finalmente cumprido a sua sentença e foi solta, alguns anos mais cedo devido a uma anistia, êle voltou para casa para descobrir que sua espôsa havia morrido de pesar poucos meses depois de êle ter sido prêso. Seus filhos haviam sido levados embora e postos em outros lares. Mas, êle se regozijou de voltar aos irmãos que ainda estavam devotados ao serviço do reino de Jeová. Tudo o que êle quer fazer agora é pregar estas boas novas do reino de Jeová; pois sabe que não há esperança para êste velho mundo ou para qualquer parte dêle. Os comunistas têm mêdo da verdade bíblica, mas a verdade fêz êste irmão livre, mesmo durante todos os anos que estava num campo de escravos russo. Jesus disse: “Felizes são os perseguidos por causa da justiça, porque a êles pertence o reino dos céus.” — Mat. 5:10, NM.

MUITA COISA ACONTECE DENTRO DA RÚSSIA

Dentro da Rússia, as testemunhas de Jeová precisam efetuar o seu trabalho assim como os primitivos cristãos trabalharam entre os judeus e os romanos. “Felizes sois vós quando as pessoas vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem tôda espécie de mal contra vós, por minha causa. Regozijai-vos e pulai de alegria, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que existiram antes de vós.” (Mat. 5:11, 12, NM) A fé dos perseguidos em Jeová Deus e no seu reino os sustenta, e êles antes prefeririam morrer do que transigir com qualquer parte dêste velho mundo.

Lá atrás em 1948, várias das testemunhas de Jeová na Rússia estavam mimeografando A Sentinela e imprimindo material baseado no ensino bíblico, distribuindo-o então através do país conforme melhor puderam. Mas, os líderes comunistas temem as verdades bíblicas, e sua polícia secreta descobriu êstes ministros. Todo seu aparelhamento de impressão, papel, tinta e outros materiais foram apreendidos e os homens foram presos e levados a campos de escravos.

A grande pergunta que a polícia secreta fazia era: “Como nos podemos livrar das testemunhas de Jeová?” Encontravam-nas em tôda parte — não pessoas ruins, apenas pessoas que queriam ler o livro mais amplamente lido no mundo, A Bíblia Sagrada, e falar sobre êle. As autoridades soviéticas puderam dispersar e desorganizar as testemunhas de Jeová por algum tempo, mas, não demorou muito até que as testemunhas de Jeová estivessem novamente organizadas dentro da Rússia e tivessem estabelecido novos centros de publicação, para mimeografar ali e espalhar a verdade conforme a recebiam. Os líderes comunistas estavam determinados a prender todos os servos de circuito e servos de congregação, e, ao encontrarem alguns dêles, êstes receberam sentenças de vinte e cinco anos e foram encarcerados.

Durante os anos que seguiram a segunda guerra mundial foi praticamente impossível para os irmãos esconder A Sentinela ou quaisquer das publicações da Sociedade, ou mesmo a Bíblia. A polícia secreta procurava tudo o que era cristão, e quando descobriram que certa pessoa era uma das testemunhas de Jeová ou era acusada de ser uma, êles vasculhavam sua casa, desmontando fogões, desmantelando o telhado, mesmo destruindo a casa inteira, para descobrir o esconderijo da Bíblia ou de literatura bíblica, a fim de terem evidência de propaganda cristã, e depois enviavam a pessoa a um campo de escravos. Naqueles anos era impossível para os irmãos reunir-se à luz do dia. Êles realizavam seus estudos bíblicos familiares na maior parte em porões, no mato e em outros lugares inacessíveis. Os irmãos tiveram raras vêzes a oportunidade de estudar com outros em seus próprios lares. O estudo em grupo da Sentinela era impossível, mas realizava-se um estudo regular em lares onde a família se podia reunir, com tôdas as janelas e portas fechadas e trancadas. Mas que família feliz! Podiam falar sôbre a verdade, a Palavra de Deus, e adorar a Jeová, o Dominador Soberano do universo, mesmo num país ditatorial como a Rússia. A verdade tornara livres a tais pessoas, embora vivessem sob um estado opressivo. “Felizes os que estão cônscios da sua necessidade espiritual, porque lhes pertence o reino dos céus.” — Mat. 5:3, NM.

Por causa do amor à verdade, por parte de muitos, de 1948 até 1951 as testemunhas de Jeová continuaram a crescer em tôda a Rússia, e isto para a grande perturbação dos líderes comunistas. Recentemente saíram relatórios da Rússia, declarando que em 1951, em 1.°, 7 e 8 de abril, os comunistas efetuaram um grande expurgo. Estas são datas inesquecíveis para as testemunhas de Jeová na Rússia. Nestes três dias, tôdas as testemunhas de Jeová que podiam ser achadas na Ucrania ocidental, na Rússia Branca, na Bessarábia, na Moldávia, na Letônia, na Lituânia e na Estônia — mais de sete mil homens e mulheres — foram presos e levados embora. Não se lhes permitiu levar consigo roupa ou alimento. Famílias inteiras foram carregadas em carroças, levadas a estações da estrada de ferro e ali postas em vagões de gado e enviadas para longe. Tôdas estas prisões foram feitas à noite, e, caso não se completasse o ajuntamento das testemunhas de Jeová até às 7 da manhã, êles esperavam até o escurecer naquele dia. Depois veio o êxodo! Milhares de testemunhas de Jeová foram transportadas através do país e centenas de milhares de russos supostamente livres ouviram as testemunhas de Jeová cantar cânticos de louvor a Jeová e falar sôbre a verdade ao passarem seus trens. Êste grande grupo de testemunhas de Jeová foi levado a florestas para roçar a terra, e, durante o primeiro inverno, tiveram de viver de raízes e de nozes. Distribuídas sôbre uma grande área florestal vigiada, disse-se-lhes: “Limpem o mato; construam casas; permaneçam aqui para sempre; trabalhem se desejam viver.” Seu ânimo não ficou abalado. Êles trabalharam; estão vivos; a sua fé é forte e continuam a pregar as boas novas do reino estabelecido de Jeová.

Atualmente, no vasto país da Rússia, deveras, a mão de cada homem é levantada contra seu próximo. Todos foram ensinados ali a vigiar a pessoa que lhes estiver próxima, e a lutar especialmente contra as testemunhas de Jeová. Não importa quem seja, está sob vigilância; e se a pessoa receber correspondência no correio, ela é lida pelo funcionário do correio. O único modo pelo qual as mensagens de conforto e verdade, de Jeová, podem passar de um para outro é por mensageiro pessoal. Ao serem encontradas, as testemunhas de Jeová recebem um julgamento. Comparecem ao tribunal e perante um juiz, mas não adianta constituir advogado para defender a pessoa. Em muitos casos o govêrno designa um advogado para defender a pessoa, mas, mesmo aquêle que fôr designado a uma testemunha de Jeová adota o papel de acusador ao invés de advogado da defesa; pois, se não fizer assim e se apresentar um bom caso, êle próprio pode ser enviado a um campo de escravos. É assim que o sistema soviético impõe a justiça.

Se houver testemunha de Jeová em certo território, ela é conhecida em tôda parte, pois há muitas correntes ocultas. As pessoas falam. Nem todos vão delatar às autoridades, porque muitos esperam que êles mesmos estarão algum dia livres desta regência impiedosa. Falhando-lhes a sua própria Igreja Ortodoxa Russa, visto que ela é igreja do estado, êles procuram os que amam a verdade. “Felizes os que choram, porque serão consolados.” — Mat. 5:4, NM.

DE COMUNISTA A CRISTÃ

Na Rússia há agora certa mulher, testemunha de Jeová, que, depois de muito sofrimento, ainda está pregando as boas novas do reino de Jeová. A sua história, desde 1942, é típica de centenas de outras. Em 1942, quando era comunista ativa, ela foi deportada pelos nazistas à Alemanha, junto com outros civis russos. Ali trabalhou com um hortelão e numa fábrica de manufatura, espalhando as suas ideias comunistas. A Gestapo de Hitler a descobriu logo. Ela foi enviada a um campo de concentração nazista. Ali, fora do contato com seus companheiros comunistas e sozinha, ela começou a perder a fé na organização comunista, porque lhe havia falhado. Ela começou a pensar acêrca de Deus, falou com algumas pessoas e, finalmente, encontrou as testemunhas de Jeová. Enquanto estêve num campo nazista, ela foi batizada e tornou-se estudante diligente das Escrituras. Após aprender a verdade, ela começou a falar a outras mulheres russas. Certo dia o comandante do campo veio ver essas mulheres russas e disse a esta mulher: “Quem é você?” Ela respondeu: “Sou uma das testemunhas de Jeová.” O comandante insistiu que isso não era verdade: “Você é russa.” Daí a irmã disse a êste nazista, com ênfase: “Deus não é só o Deus do povo alemão, mas é de todos os povos.” Ela ficou sem ser punida, e isto a fortaleceu a pregar ainda mais diligentemente entre as mulheres russas. Por fim, um grupo destas mulheres aprendeu a verdade em seu próprio idioma.

Depois de terminar a guerra em 1945 e os campos de concentração de Hitler terem sido dissolvidos, esta mulher, com muitas outras mulheres russas, voltou à Rússia. A oração de certa irmã alemã, de que se lhes falara enquanto estavam no campo nazista, tornou-se então a oração de cada uma destas testemunhas de Jeová, as mulheres russas libertadas: “Agradeço-te, Jeová, ó Pai, que me deste o que eu desejava, falar ao povo russo.”

Trouxe-lhes alegria serem sôltas e voltarem à Rússia; mas, não demorou muito até que a polícia secreta russa estivesse na pista delas. Foram achadas, e, porque pregavam o reino de Deus, indicando aos outros as palavras confortadoras da Bíblia, estas mulheres foram sentenciadas a vinte e cinco anos em campos de escravos. Mesmo ali, porém, estas irmãs russas, que aprenderam a verdade nos campos de concentração alemães, estão hoje pregando nos campos de prisão da Rússia, onde agora moram, tudo para a honra e a glória do nome de Jeová. Esta mulher específica, anteriormente comunista e agora testemunha de Jeová, ainda é uma publicadora regular do Reino; agora, naturalmente, num campo de escravos do govêrno soviético ao qual ela servira anteriormente. Por quê? Porque ela crê na Palavra de Deus conforme escrita no Seu livro, a Bíblia. Ela se atreveu a pregar as suas boas novas na Rússia. Por causa disso ela está fazendo trabalho de construção numa floresta, como escrava, ajudando a transformar a floresta em acampamentos que mais tarde serão entregues ao povo comunista. Ao terminar com aquela tarefa, ela será removida para outro lugar de trabalho forçado.

Num dêstes muitos campos através de tôda a Rússia, onde estão localizadas as testemunhas de Jeová, a verdade tem sido pregada tanto que até alguns guardas a adotaram. Também pessoas que trabalharam em escritórios que controlam êstes campos têm obtido conhecimento da verdade. Terem recebido a verdade as impele agora a pregar as boas novas. No decorrer do tempo, mesmo alguns dêstes guardas e auxiliares de escritório têm sido postos em prisão, sendo sentenciados a quinze anos e a dez anos. Por que razão? Porque estudavam a Bíblia; porque falavam sôbre a verdade; porque declaravam ser testemunhas de Jeová. Todas estas pessoas condenadas têm sido separadas em diferentes campos e enviadas a partes diferentes da Rússia, de modo que não pudessem formar um forte grupo próprio.

A DEPORTAÇÃO ESPALHA OS PREGADORES

As testemunhas de Jeová na Rússia dizem que, por terem sido espalhadas por todos êstes campos (e sabemos com certeza de que se encontram em mais de cinquenta campos diferentes, segundo o relatório anteriormente apresentado neste artigo) as boas novas do Reino estão sendo pregadas constantemente em todas as partes dêste vasto país da Rússia. Por nenhuma forma de imaginação poderiam elas achar o dinheiro para viajar 10.000 quilômetros para pregar a mensagem do Reino. Mas, agora é o próprio govêrno comunista que as envia de um canto do país a outro para trabalharem nestes campos de escravos; e, conforme elas acham, foi o govêrno quem pagou a sua passagem a novos territórios para pregarem a mensagem do Reino. As testemunhas de Jeová estão trabalhando em tôdas as partes da Rússia; algumas, a maioria delas, realmente, em campos de trabalho, outras em setores isolados dos quais não se lhes permite sair. Ainda outras continuam a trabalhar em cidades e aldeias, ainda não apanhadas até êste momento. É de se lembrar como ‘Saulo [de Tarso] tratou abusivamente as congregações do povo de Jeová, invadindo uma casa após outra, e, arrastando para fora homens e mulheres, entregava-os à prisão’. “Entretanto, os que haviam sido dispersos iam por todo o país, declarando as boas novas da palavra.” — Atos 8:3, 4, NM.

Nossos irmãos na Rússia não têm sido absolutamente reticentes em tentar obter maior liberdade para a pregação da mensagem do Reino, e êles deram ao governo comunista a oportunidade de reconhecer as testemunhas de Jeová como organização religiosa. Em 1948 enviaram uma petição, por intermédio do ministro do interior, ao Presidium do Supremo Conselho Soviético da U. R. S. S. Esta petição descreveu a obra das testemunhas de Jeová na Rússia. Não receberam resposta; portanto, uma pequena delegação de três irmãos foi ao Ministério do Interior em Moscou e apresentou a petição em pessoa. Perguntados de onde vieram, disseram: “Da Ucraína.” Foram, portanto, aconselhados a ir ao Ministério do Interior da Ucrania, República Socialista Soviética, em Kiev. Os irmãos foram diretamente de Moscou a Kiev e apresentaram a petição ao ministro do interior. Ali pareceu que os funcionários do Ministério tinham estado preparados para a vinda dêles, porque depois de apresentarem a petição, ofereceram-se a estas três testemunhas de Jeová certas propostas feitas pelo govêrno: Serviriam as testemunhas de Jeová no exército? Participariam nas eleições do govêrno soviético? Submeter- se-iam a todo decreto do estado e colaborariam elas com outras organizações religiosas? A tôdas as três perguntas os irmãos responderam nas palavras do apóstolo de Jesus, Pedro: “Importa antes obedecer a Deus que aos homens.” (Atos 5:29) Permitiu-se aos representantes que saíssem do escritório do Ministério do Interior, mas, dentro de poucos dias, deu-se uma batida em seus lares; êles mesmos foram revistados e mais tarde sentenciados a longos têrmos de prisão.

Num lugar na Rússia foi possível que 120 pessoas estivessem presentes à celebração do Memorial. Esta foi uma exceção. Poucos anos atrás houve sete publicadores em Moscou, mas todos êles foram deportados. Moscou é uma das poucas capitais no mundo onde não há nem uma única testemunha de Jeová. Mas a verdade é conhecida ali. O govêrno comunista tem sido informado sôbre as testemunhas de Jeová; fizeram demasiadas delas seus trabalhadores escravos para não as conhecer. Em cada país atrás da cortina de ferro a organização comunista está tentando combater, suprimir e eliminar as testemunhas de Jeová — na Polônia, na Tchecoslováquia, na România, na Hungria, na Alemanha Oriental e na própria Rússia. Mas, não podem destruir nem a elas nem a mensagem delas, a verdade tem liberto êste povo, e êles continuarão livres e a pregar estas boas novas do reino estabelecido de Jeová em testemunho a todos os que ouvem.

Na Rússia é impossível que alguém viva a sua própria vida, apenas servindo a Deus e amando seu próximo como a si mesmo. Não, êle precisa tornar-se escravo do estado; precisa aclamar o estado; precisa adorar o estado. Mas não as testemunhas de Jeová! Elas voltaram-se para a Palavra de Deus e preferem seguir as pisadas de Cristo Jesus. (1 Pedro 2:21) Quando Jesus estêve na terra, êle disse aos regentes que êle estava no mundo, mas não era parte dêle. (João 18:36, 37) E êste é o modo de que as testemunhas de Jeová consideram a vida hoje. (João 17:13, 14, 16) Estamos no mundo, mas não somos parte dêle. O mundo trata dos seus próprios negócios do modo como quer. As testemunhas de Jeová não interferem, nem interferirão. Enquanto Jeová Deus permitir que as nações feitas pelos homens permaneçam e funcionem, hão há razão para as testemunhas de Jeová interferirem com seu modo de vida, e elas cumprirão tôdas as leis feitas pelos homens, a menos que estas leis estejam em conflito com a lei de Deus.

Não importa em que país se encontrem as testemunhas de Jeová, elas têm a designação de ser ministros do reino de Jeová, representantes de Cristo Jesus. (Isa. 43:10-12; 52:7, 8; 61:1-3; Mat. 24:14; 2 Cor. 5:20) Portanto, mesmo na Rússia, avançam com as suas Bíblias na pregação das boas novas dentro e fora dos campos de prisão. (Mat. 24:9; 28:19, 20; Mar. 13:9-11; Luc. 21:12, 13; Apo. 2:10) Celebram o Memorial, em particular ou juntas, em porões, no mato, nos campos ou isoladas. Estão prontas para enfrentar qualquer obstáculo e para tentar vencê-lo, mas não transigirão com êste velho mundo. — Joel 2:4-9; Fil. 1:28.

A Bíblia está na Rússia para ficar. As testemunhas de Jeová a usam; e, embora a United Press relatasse no ano passado que o livro mais amplamente lido no mundo será “novamente disponível na Rússia, no mês que vêm [querendo dizer em janeiro de 1956]”, ela tem estado banida pelos comunistas por trinta e oito anos. Mesmo agora, conforme indicou a United Press, somente poucas Bíblias serão impressas: “O tipo tem sido composto, e os sacerdotes do patriarcado de Moscou estavam lendo as provas finais. A primeira impressão, marcada para janeiro, será pequena, visto que a igreja tem de comprar o papel e pagar ao govêrno pela impressão; mas, a igreja espera, com o decorrer do tempo, poder distribuir a nova Bíblia em tôda a União Soviética.”

Será a Bíblia lançada em grandes quantidades através da Rússia?

Quando fôr, as testemunhas de Jeová a explicarão ao povo. Enquanto os líderes comunistas e seus apoiadores tiverem mêdo da verdade, esta nova Bíblia dêles, na língua russa, talvez tenha apenas uma distribuição limitada enquanto o regime comunista continue. As testemunhas de Jeová certamente não terão acesso a ela, pois nas suas mãos ela é como dinamite. Por isso continua proscrita para elas.

Será que o livro mais amplamente lido no mundo será lido amplamente na Rússia antes da guerra de Jeová no Armagedon? — Apo. 16:13-16; Jer. 25:32, 33; Isa. 34:1-4; Sof. 2:1-3; Atos 2:19-21.

Agora, somente os que buscam a Jeová, os que têm fome da verdade e da justiça, sim, somente os que travam “a peleja correta pela fé” (1 Tim. 6:12; NM), somente os que estão dispostos a depor as suas vidas pela verdade (Apo. 12:11), são os que jamais verão e entenderão a Bíblia, não só na Rússia, mas em todo o resto do mundo.

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