Ajuda ao Entendimento da Bíblia
[Matéria condensada de Aid to Bible Understanding, Edição de 1971.]
ANIMAIS, SIMBÓLICOS. Desde tempos imemoriais, a humanidade tem observado as características e os hábitos dos animais, e os tem aplicado em sentido figurativo ou simbólico a pessoas, povos, governos e organizações. A Bíblia faz bom uso deste meio eficaz de ilustração. Alguns exemplos em que as qualidades de certo animal, ou as sugeridas por suas características, são usadas de modo figurativo, acham-se alistadas nas tabelas acompanhantes.
ANIMAIS COMO SÍMBOLOS DE GOVERNOS
Certas potências mundiais principais da história aparecem diretamente no registro bíblico, e, todas elas, bem como outras nações, têm usado os animais como símbolos de seus governos. No Egito, a serpente figurava de forma proeminente, a Uraeus, a áspide sagrada, aparecendo no turbante real ou “capacete” dos Faraós. No entanto, o Egito também era representado pelo touro, assim como a Assíria. A Medo-Pérsia usava a águia (os escudos dos medos traziam a águia dourada; os persas traziam uma águia fixada na ponta duma lança). Atenas era designada pela coruja; Roma, pela águia; a Grã-Bretanha, pelo leão, os Estados Unidos, pela águia. Além destas potências, a China, desde os tempos mais remotos, tem sido simbolizada pelo dragão. Também são familiares o “urso” russo e a “águia de duas cabeças” alemã.
OS ANIMAIS SELVAGENS DE DANIEL E DE REVELAÇÃO
Que os animais descritos nestes livros representam reinos ou governos políticos que exercem a regência ou a autoridade, é declarado expressamente. (Dan. 7:6, 12, 23; 8:20-22; Rev. 16:10; 17:3, 9-12) Uma consideração dos trechos bíblicos revela que, ao passo que estes ‘animais selváticos’ políticos variam em sua forma simbólica, todavia, têm certas características em comum. Apresenta-se a todos como contrapondo-se à regência de Deus por meio do reino messiânico sobre a humanidade. São também representados como se opondo aos “santos” de Deus, seu povo pactuado, primeiro a nação judaica, daí, a congregação cristã. As mencionadas especificamente (Medo-Pérsia e Grécia) eram grandes potências mundiais, e o grande tamanho atribuído às demais, ou a descrição das ações delas, indicam que elas também não eram reinos pequenos. (Deve-se notar que os reinos subordinados são simbolizados pelos chifres, em alguns casos.) Todos os animais são representados como sendo mui agressivos, procurando a posição de domínio sobre as nações ou povos ao alcance de seu poder. — Compare com Daniel 7:17, 18, 21; 8:9-11, 23, 24; Revelação 13:4-7, 15; 17:12-14.
Muitos comentaristas se empenham em limitar o cumprimento das visões dos animais no livro de Daniel, de modo que não se estenda além da época em que Jesus Cristo esteve na terra, época em que o Império Romano era a potência dominante. As próprias profecias, contudo, deixam claro que se estendem além daquela época. Mostra-se as formas finais dos animais como alcançando até a ‘vinda do tempo definido para os santos de Deus assumirem a posse do reino’, no “tempo designado do fim”. Daí, o Messias destrói tal oposição animalesca para todo o sempre. (Dan. 7:21-27; 8:19-25; confronte também com Revelação 17:13, 14; 19:19, 20.) Deve-se notar que Cristo Jesus predisse expressamente que a oposição ao reino messiânico continuaria até o tempo do fim, de modo que seus discípulos, que então pregavam tal reino, seriam “pessoas odiadas por todas as nações”. (Mat. 24:3, 9-14) Isto, obviamente, não permite que nenhuma nação, especialmente as que são potências mundiais, sejam excluídas da possível identificação com as formas ou expressões finais dos simbólicos animais selváticos.
Visão de Daniel sobre os animais que saem do mar
Depois de o Egito e a Assíria terem concluído seus respectivos períodos de domínio, e perto do fim do Império Babilônico, Jeová Deus forneceu a Daniel uma visão de “quatro animais gigantescos” que saíam do vasto mar. (Dan. 7:1-3) É interessante notar que “águas” são usadas, em Revelação 17:15, para simbolizar “povos, e multidões, e nações, e línguas”, o conjunto do gênero humano que abrange a terra habitável, assim como as águas cobrem as bacias marítimas. Isaías 57:20 registra algo similar, ao descrever as pessoas alienadas de Deus, afirmando: “Mas os iníquos são como o mar revolto, quando não pode sossegar, cujas águas lançam de si algas e lama.”
Os comentaristas bíblicos ligam regularmente esta visão com a da imagem colossal do segundo capítulo de Daniel. Como demonstra a comparação dos capítulos (dois e sete), há definidas similaridades. A imagem colossal possuía quatro partes ou seções principais, em comparação com os quatro animais. Os metais da imagem começaram com o mais precioso, o ouro, tornando-se sucessivamente inferiores, ao passo que os animais começaram com o majestoso leão. Em ambas as visões, a quarta parte ou “reino” obtém especial consideração, demonstra a maior complexidade de forma, introduz novos elementos, e continua até a época em que se executa o julgamento divino sobre ela, por situar-se em oposição à regência de Deus.
Em suma, os quatro animais eram: leão, primeiro tendo asas de águia, daí as perdendo e assumindo qualidades humanas; um urso (criatura menos majestosa e mais volumosa do que o leão), devorando muita carne; um leopardo com quatro asas (aumentando sua grande velocidade) e quatro cabeças; e um quarto animal selvático que não corresponde a nenhum animal real, sendo incomumente forte, e tendo grandes dentes de ferro, dez chifres e outro chifre que se desenvolve com olhos, e uma “boca falando coisas grandiosas”. Grande parte desse capítulo relaciona-se ao quarto animal e seu chifre incomum. Ao passo que cada animal era “diferente dos outros”, isto se dava especialmente com o quarto. — Dan. 7:3-8, 11, 12, 15-26.
Há, por certo, várias explicações dadas pelos peritos quanto à aplicação destes símbolos. Ajuda-nos a entender o assunto, contudo, simplesmente recapitular o que a história e a Bíblia mostram quanto às potências principais, que tiveram relações diretas com o povo pactuado de Deus, desde o tempo de Daniel em diante.
A própria Babilônia era a potência dominante no Oriente Médio, quando tal visão foi recebida. Depois de ter conseguido a ascendência sobre a Assíria, o reino babilônico estendeu rapidamente seu domínio sobre a Síria e a Palestina, derrubando o reino de Judá, com sua linhagem de regentes davídicos que se sentavam no glorioso trono de Jeová, em Jerusalém. (1 Crô. 29:23) Deve-se observar que, quando avisava Judá de sua queda impendente diante de Babilônia, o profeta Jeremias assemelhou o futuro conquistador a ‘um leão que subiu de sua moita’. (Jer. 4:5-7; compare com 50:17.) Depois da queda de Jerusalém, Jeremias disse que as forças babilônicas tinham sido “mais velozes do que as águias” em sua perseguição aos judeus. (Lam. 4:19) A história mostra que a expansão de Babilônia, que em certo tempo chegara até ao Egito, não demorou muito a ter um paradeiro e, na última parte desse império, os regentes de Babilônia demonstravam pouco da sua agressividade inicial.
[Continua]
[Quadro na página 22]
SIMBOLISMO DE COISAS DESEJÁVEIS
CARACTERÍSTICA
ANIMAL OU QUALIDADE SIMBOLISMO
Águia Visão aguçada Sabedoria, atributo da
“criatura vivente” próxima
do trono de Jeová
(Rev. 4:7)
Discernimento, antevisão
profética dos servos de
Deus (Mat. 24:28;
Águia, asas de Poder de vôo Vigor revigorante,
perseverança (Sal. 103:5;
Cuidado, proteção Cuidado de Jeová por Israel
(Êxo. 19:4) e por sua
“mulher” Rev. 12:14)
Cavalo (branco) Montaria de guerra Guerra justa (Rev. 19:11, 16)
Corça Ligeireza Tribo de Naftali era ligeira
na batalha; elegante
Pés firmes Estabilidade e orientação
para os passos da pessoa,
por parte de Jeová
Amabilidade A esposa da pessoa
Cordeiro Animal sacrificial Jesus Cristo, o “Cordeiro de
Deus” (João 1:29; Rev. 5:6;
Galinha Proteção aos Terno cuidado de Jesus
pintinhos (Mat. 23:37; Luc. 13:34)
Gazela (e Beleza, lindeza Pastor que amava sulamita
animais Velocidade (Cân. 2:9) Velocidade de
relacionados) guerreiros gaditas
Jumento Capacidade de fazer Tribo de Issacar se prestava
trabalho árduo ao trabalho (Gên. 49:14, 15)
Leão Majestade, coragem, Justiça, atributo da
capacidade de “criatura vivente” próxima ao
destruição dos trono de Jeová (Rev. 4:7)
inimigos Jesus como majestade real,
rei, executor da justiça
Jeová (Isa. 31:4, Osé. 11:10)
Povo de Jeová (Miq. 5:8)
Ovelha Mansidão, Rebanho de pessoas de Jeová
docilidade, (Sal. 79:13; João 10:7;
ser gregário Heb. 13:20)
Pessoas que fazem bem aos
irmãos espirituais de Cristo,
e que entram nas bênçãos do
Reino (Mat. 25:32-34)
Peixe Alguns peixes eram Pessoas excelentes, justas,
limpos, segundo Lei adequadas para o Reino
Pombo (rola) Lindeza, beleza, Moça sulamita
inocência (Cân. 1:15; 5:2) Servos
de Deus são inocentes, não
Serpente Cautela (Gên. 3:1) Cautela dos servos de Deus
[Quadro na página 23]
SIMBOLISMO DO QUE É MAU E INDESEJÁVEL
CARACTERÍSTICA
ANIMAL OU QUALIDADE SIMBOLISMO
Águia Rapinante, predador Reis de Babilônia e Egito
(Eze. 17:3, 7, 12, 15)
Animais em Falta de raciocínio Homens iníquos (2 Ped. 2:12;
geral Judas 10)
Cabrito Teimosia, espírito Pessoas não amigáveis para
independente, com irmãos espirituais de
tendência de dar Cristo, “amaldiçoados” que
marradas vão para a destruição
(Mat. 25:32, 41, 46)
Camelo Buscar a esmo a Busca infiel das nações
(fêmea) satisfação do pagãs e seus deuses por
desejo parte de Israel (Jer. 2:23)
Cão Ferocidade, Inimigos iníquos de Davi
impureza, opera (Sal. 22:16; 59:6, 14)
em matilhas, Homens iníquos (Fil. 3:2;
insatisfeito no Rev. 22:15)
desejo sexual Pervertido sexual
Indivíduo imprestável
Pastores iníquos de Israel
Antigo conceito judeu sobre
gentios incircuncisos
Apóstatas (2 Ped. 2:22)
Cavalo Utilidade na Guerra, equipamento de guerra
batalha (Sal. 33:17; 147:10;
Forte desejo sexual Israelitas loucos pelo sexo,
dos dias de Jeremias (Jer. 5:8)
Crocodilo Orgulho, coração Faraó Rei do Egito
(“monstro obstinado, inspirar (Eze. 29:3-5)
marinho” — terror
Dragão Devorador, Satanás, o Diabo (Rev. 12:9)
esmagador, Rei de Babilônia
engolidor (Jer. 51:34, nota marginal,
NM, ed. em inglês)
Leopardo Velocidade Rapidez da conquista caldéia
(Hab. 1:8)
Lobo Ferocidade, Falsos profetas (Mat. 7:15)
rapinante, Falsos cristãos iníquos;
maldade, falsos instrutores
astúcia (Atos 20:29)
Homens iníquos do mundo
Peixe Alguns peixes eram Pessoas iníquas, inapropriadas
impuros segundo a para o Reino (Mat. 13:47-50)
Lei (Lev. 11:9-12)
Porca Imundície Apóstatas (2 Ped. 2:22)
Raposa Astúcia, velhacaria Traiçoeiro Rei Herodes
Ântipas (Luc. 13:32)
Touro Ferocidade Inimigos iníquos de Davi
Urso Ferocidade Regentes iníquos (Pro. 28:15)
Verme Baixo, fraco, Nação de Deus, Israel (Jacó)
insignificante fraca em si mesma, forte no
poder de Jeová
Zebra Ânsia de satisfação Israel buscando infielmente
(fêmea) sexual em qualquer as nações pagãs e seus
parte deuses (Jer. 2:24)