ESTUDO 3
PRINCÍPIOS DA SINALIZAÇÃO CORRETA
NEM todos os cristãos tiveram a oportunidade de receber muita instrução escolar. Os apóstolos Pedro e João foram descritos como homens “comuns e sem instrução”. (Atos 4:13) Apesar disso, é importante ter cuidado para que uma sinalização mal feita não tire o brilho da verdade bíblica que apresentamos.
Elementos de um sinal. Você talvez já tenha montado um quebra-cabeças alguma vez. Você sabe que todas as peças precisam se encaixar perfeitamente para criar uma figura completa. O mesmo acontece com a sinalização. Você precisa conhecer as “peças”, ou partes, que formam um sinal antes de poder articulá-lo de modo claro. Há cinco elementos essenciais em cada sinal. Conhecê-los é o primeiro passo para sinalizar corretamente e se tornar fluente.
Configuração de mão. Todos os sinais são feitos de configurações de mão. Configurações de mão podem ser alfabéticas ou numéricas ou assumir outras formas aceitáveis em sua língua de sinais. Também há restrições com respeito a como as configurações de mão tocam a outra mão ou outras partes do corpo. É importante estar familiarizado com as regras das configurações de mão em sua língua de sinais, lembrando que elas não são as mesmas em todas as línguas.
Alguns sinais requerem apenas uma mão, como os sinais “homem”, “mulher” e “animal”. Outros sinais requerem duas mãos. Alguns consistem de configurações de mão iguais, como “trabalhar”, “continuar”, e “junto”. Às vezes, um sinal é feito de duas configurações de mão diferentes, com a mão dominante fazendo todos os movimentos envolvidos no sinal, como “já era”, “verdade” e “internet”.
Orientação da palma. Em todo sinal, as mãos precisam estar posicionadas de certa forma. As palmas talvez estejam viradas em direção ao corpo ou para fora. Isso é muito importante, visto que uma orientação de palma incorreta pode resultar num sinal distorcido e transmitir o significado errado. Por exemplo, ao passo que as configurações de mão para os sinais “porque” e “vingança” são as mesmas, a orientação da palma é diferente.
Localização. O lugar onde você faz um sinal afeta seu significado. O sinal pode ser feito no queixo, na testa, na bochecha ou em outra parte do corpo. Sinais também podem ser feitos no espaço ao seu redor. Por exemplo, ao passo que os sinais para “sábado”, “ouvinte”, “aprender” e “amor” têm a mesma configuração de mão e movimento, “sábado” é sinalizado na boca, “ouvinte” é sinalizado no ouvido, “aprender” é sinalizado na testa e “amor” é sinalizado no peito. A localização inclui onde um sinal começa e onde termina. Por exemplo, o sinal “pessoal” começa na testae e termina no peito.
Movimento. O movimento é muito importante e pode até ser chamado de o motor da língua de sinais. Um sinal fica incompleto sem seu próprio movimento. O movimento do sinal pode ser rápido ou arrastado. Alguns movimentos são de natureza gramatical. Por exemplo, repetir o movimento pode distinguir um verbo de um substantivo. Tipicamente, o sinal para “trabalho” quando feito afastado do corpo pode indicar o local de trabalho, mas quando feito próximo ao corpo incluindo o movimento do mesmo pode indicar a ação de trabalhar. O movimento pode modificar um sinal e dar informações adicionais. Por exemplo, alguns movimentos dão detalhes sobre a ocorrência, se a pessoa que sinaliza está se referindo a uma rápida sucessão de eventos, uma ocorrência regular, um evento que quase não acontece, uma única ocasião, e assim por diante. As expressões faciais também acrescentam significado. Por isso, por prestar atenção ao movimento de uma expressão facial, você poderá explicar uma ideia complexa com um único sinal, em vez de sinalizar uma frase inteira.
Expressões faciais. Por que elas são importantes? Uma pessoa surda olha mais para o rosto em busca de informações. Por isso, uns 80% dos sinais são feitos perto do rosto. Movimentos de sobrancelhas, boca, bochechas, cabeça, ombros ou nariz podem ser usados para criar expressões faciais que transmitem informações adicionais. Essas expressões faciais podem adicionar informação gramatical a um sinal. Elas também podem acrescentar intensidade e modulação. Por exemplo, o modo como a boca se move pode mostrar se algo está longe ou perto, ou se é fino ou grosso, além disso para indicar distância ou tempo usamos também as sobrancelhas e os olhos.
É importante observar que essas expressões faciais são gramaticais ou moduladoras, diferente de outras expressões faciais que indicam emoções e sentimentos.
A maioria das pessoas que têm a língua de sinais como seu primeiro idioma tendem a fazer sinais ligeiramente mais próximos do corpo. Por exemplo, o sinal “conseguir” é feito usando mais o movimento do pulso, ao passo que um ouvinte usa mais o movimento do cotovelo. Mas, numa situação mais formal, como num discurso, até mesmo os surdos fazem os sinais mais distantes do corpo por motivo de clareza.
Sinalizar uma palavra nunca deve parecer estranho ou causar dor; se isso acontecer, você provavelmente está cometendo um erro em um ou mais dos elementos acima. Isso pode ser comparado a tentar forçar as peças de um quebra-cabeças a se encaixarem. Em vez disso, você sempre deve poder sinalizar de modo confortável, como as “peças” se encaixando no lugar certo.
As seções a seguir destacam princípios adicionais que também são importantes na língua de sinais.
Estilo de sinalização. A sinalização pode variar de acordo com a situação. Por exemplo, a maneira como alguém sinaliza numa conversa casual seria diferente da maneira como ele sinaliza num discurso numa reunião na congregação. O estilo de sinalização pode ser formal ou informal e pode ser diferente dependendo de se a pessoa está falando para uma pessoa só ou para uma grande assistência. Mas, independentemente da situação, a sinalização ainda deve ser clara, exata e apropriada à ocasião. Se o registro da sinalização tipicamente usado num ambiente mais informal for usado em um discurso na congregação, ele poderia ser inapropriado e deixar a assistência constrangida. O estilo de conversação apropriado é considerado em mais detalhes no Estudo28.
Mudança de personagem. A pessoa que está sinalizando muda de posição várias vezes para assumir o papel de um personagem ou transmitir uma informação. Daí, seu corpo pode voltar para uma posição neutra quando voltar a fazer o papel de orador ou narrador. A mudança de personagem pode ser usada também para mostrar interação ou diálogo entre várias pessoas em diferentes pontos do discurso. Essa técnica geralmente é usada na Bíblia e em publicações teocráticas. A intensidade com que a mudança de personagem é usada pode variar de acordo com a situação ou o estilo de sinalização. A mudança de personagem num contexto formal, como num discurso, talvez seja mais fácil de perceber. Quem está sinalizando pode movimentar os ombros e a cabeça de forma mais evidente para que a assistência reconheça rapidamente qual personagem está falando. Num contexto informal, a mudança de personagens talvez seja mais sutil.
Soletração. A soletração é uma parte essencial da maioria das línguas de sinais. Mas a intensidade com que é usada varia de um país para outro. Se você vive num país onde nomes próprios e outras palavras são às vezes soletradas, as informações a seguir serão úteis. Muitos surdos, especialmente os mais velhos, soletram palavras, mas não por conveniência ou falta de um sinal para essas palavras. Eles não fazem isso para testar outros, mas porque valorizam as palavras escritas. O que pode ajudar você a entender palavras soletradas? Primeiro, considere o contexto em que a palavra é usada e, segundo, esteja ciente de que os surdos nem sempre soletram todas as letras. Aqueles que têm a língua de sinais como seu primeiro idioma talvez soletrem claramente cada letra de uma palavra apenas na primeira vez que a sinaliza. Um exemplo disso é quando conhecem alguém e soletra seu próprio nome. Mas, no dia a dia, eles talvez soletrem algumas palavras de um modo que enfatize certas letras, criando um padrão visual. Por exemplo, ao soletrar a palavra “nunca” a mão está em “n”, se levanta para “u”, desce para “n” e sobe fechando em “c” e “a”. Soletrar dessa forma cria um fluxo visual claro que torna a palavras fácil de reconhecer. Mas outras palavras talvez sejam mais comumente soletradas com a mão na mesma posição em todas as letras. Quando uma palavra for soletrada para você, olhe para a palavra inteira em vez de para cada letra. Se você não reconhecer o padrão visual ou não entender a palavra, considere o contexto. Com o tempo, você vai conseguir reconhecer muitas palavras soletradas como se elas fossem sinais.
Maneiras de aprimorar. Algumas pessoas que sinalizam incorretamente não se dão conta disso. Se o superintendente da reunião do meio de semana sugerir que você aprimore alguns aspectos da sinalização, encare isso como demonstração de bondade. Mas, uma vez que se der conta do problema, como poderá melhorar?
Em primeiro lugar, quando for designada a sinalização a partir da Bíblia, tire tempo para entender cada sinal. Um dicionário de língua de sinais pode ser útil. Mas o melhor é pedir que aqueles que têm a língua de sinais como seu primeiro idioma expliquem os sinais que você não conhece. Um sinal pode ter uma aparência ligeiramente diferente, dependendo do contexto. Quando você encontrar um sinal que não conhece, treine a sinalização várias vezes até ter certeza de poder reproduzi-lo com exatidão.
Uma segunda maneira de melhorar a sinalização é sinalizar para alguém que sinaliza bem as palavras e pedir-lhe que corrija seus erros.
Um terceiro modo de aprimorar a sinalização é prestar atenção aos bons oradores. Use os vídeos da Tradução do Novo Mundo ou de A Sentinela, se estiverem disponíveis. Ao ver os vídeos, preste atenção à sinalização que é diferente do que você faria, anote esses sinais e repita-os várias vezes.
Sinais teocráticos já estabelecidos devem ser sinalizados da mesma forma como são nas nossas publicações. Mas lembre-se de que outros sinais usados em publicações como A Sentinela precisam ser entendidos por uma ampla assistência, incluindo pessoas em outros países. Por isso, se algumas palavras comuns são sinalizadas de modo diferente na sua região, fique à vontade para usar os sinais locais. Não é preciso ser dogmático a respeito de nenhum sinal específico. (1 Tim. 6:4) Por exemplo, as palavras “mãe” e “solteiro” talvez sejam sinalizadas de uma forma em nossas publicações, mas de forma diferente na sua região. Use o que é entendido localmente. Até mesmo nossas publicações usam sinais diferentes em ocasiões diferentes para expressar a mesma ideia.
Por aplicar as sugestões acima, sua sinalização será correta e atraente, e você passará a sinalizar de maneira muito melhor.
COMO MELHORAR
Esteja ciente dos elementos de cada sinal.
Peça a alguém que sinalize bem para ver sua sinalização e dar sugestões.
Preste atenção à maneira como os bons oradores sinalizam e compare com a sua.
EXERCÍCIO: Assista Êxodo 1:1-14. Procure sinais que você não conhece ou que ache difíceis, anote-os e tire as dúvidas com alguém que conheça bem o idioma. Observe os vários elementos de cada sinal e como nomes próprios são soletrados nesses versículos; sinalize cada nome. Em seguida, sinalize o trecho todo.
Faça uma lista de palavras que você precisa treinar para sinalizar corretamente